Ontem quando falei sobre a escuridão do quarto fingi um incomodo por um mal estar que não tinha nada a ver com a escuridão, nem com o quarto, nem com sua vontade de dormir no escuro. Ontem havia um desassossego tão grande no meu peito que busquei em qualquer coisa que fosse um motivo para o esporro, para o vomito do ego, para o despeijar do acumulo da impaciência e intolerância que está no meu corpo, na alma, na pele.
Vi nos seus olhos o susto. E junto uma interrogação (estávamos brigando por causa da luz apagada ou acessa?! Não, não.. de certo havia mais que isso).
Ontem duas vezes troquei seu nome. Você percebeu e fingiu? Ou não percebeu?
Era óbvio que você sabia que as coisas estavam tendo o fim ali, naquela discussão de escuro e claro. E que no dia seguinte se você não me ligasse, de certo eu também não ligaria... e sem dizer coisa alguma não nos veríamos mais (por dias ao menos); e depois nos reencontraríamos com uma saudade estranha dos nossos corpos; e sentaríamos num café como bons amigos e falaríamos como foi o dia... iriamos juntos pra casa (a minha)... e mataríamos essa saudade que meu corpo encontra no seu, mais que não é dele.
Outros Carnavais!
22 horas atrás